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Vice-presidente do PT/RN sobre Bolsonaro e Alckmin: “estas duas frações são, em verdade, irmãs siamesas, faces da mesma moeda”

O “Entrevista de Domingo” desse 8 de janeiro, recebe o Vice-presidente do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (PT/RN), Daniel Araújo Valença. Professor da graduação e mestrado em Direito da UFERSA, Daniel Valença é graduado em direito pela UFRN, mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFPB, especialista em direito urbanístico pela PUC-Minas, doutor em Ciências Jurídicas pela UFPB e atual suplente de vereador em Natal.

Na entrevista, Daniel Valença fala sobre as recentes divergências com as declarações do ex-deputado Fernando Mineiro, da política de alianças do partido, da proposta de federação partidária em curso nacionalmente com o PSB, das articulações para resgatar a oligarquia Alves do ostracismo e quais são as metas do PT para a Assembleia Legislativa e Câmara Federal em 2022. Valença defende ainda o nome do atual Senador Jean-Paul Prates como candidato a reeleição à única vaga disputa para o Senado Federal.

NE360📍 O ex-deputado e secretário de Governo, Fernando Mineiro, vêm defendendo o que ele diz ser “a formação de uma frente antibolsonarista”. Em sua opinião é possível ter uma pauta progressista seria pauta ou conquistas, ganhos progressistas? numa aliança ampla com diversos setores da direita neoliberal?

Daniel Valença: A nossa avaliação é que o bolsonarismo é o somatório de neofascismo com neoliberalismo. Ou seja, é uma extrema direita reacionária, racista, lgbtfóbica, misógina, anti-povo e violenta ancorada no que denominamos de “direita gourmet”, ou seja, a direita tradicional representante política das forças capitalistas. As conquistas de nosso governo – por mais que parciais e insuficientes – levaram, em contrapartida, à conformação de um bloco conservador; a cada avanço da classe trabalhadora, de negras e negros, da população LGBT+, das mulheres, se agrupava, do lado oposto, aqueles que naturalizam relações de exploração e opressão. O fato de Bolsonaro ter décadas de vida pública e só nesta última década ter deixado de ser inexpressivo na política nacional indica não um raio em céu azul, como diria Marx, mas antes de mais nada o personagem perfeito para uma conjuntura de crise profunda e de amadurecimento deste bloco, que passa a ser o único apto a enfrentar as esquerdas. Não à toa, os candidatos tradicionais do capital, Alckmin e Meirelles, tiveram resultados deprimentes em 2018. Se olharmos em perspectiva histórica, as forças capitalistas realizaram o golpe de Estado, prenderam o Lula e, ainda assim, prevendo a possibilidade de vitória do petismo com Haddad, abandonou a direita gourmet – que tinha como representantes as candidaturas de Alckmin e Meirelles – e apostou todas as suas fichas no neofascismo e impulsionamento da candidatura Bolsonaro. Como consequência, desde então o espaço político da direita gourmet desapareceu e a ela só restou ser linha auxiliar da fração neofascista. Se tomarmos todas as principais votações relativas a patrimônio público e direitos da classe trabalhadora veremos que estas duas frações são, em verdade irmãs siamesas; duas faces da mesma moeda. Por isto, nos parece um equívoco extraordinário quando vemos a delimitação do bolsonarismo à sua fração de extrema direita e, por consequência, a crença na possibilidade de superá-lo sem superar, também, as forças neoliberais, que possibilitaram sua eleição e, até hoje, sustentam seu governo – tanto que nem pedido de impeachment assinam, mesmo com o genocídio ainda em curso.

NE360📍 Nunca na história do Rio Grande do Norte chegamos à véspera de eleição estadual com as principais oligarquias do Estado (Alves, Maia e Rosados) tão enfraquecidas e fora das três principais estruturas políticas e administrativas de poder: Governo do Estado e as prefeituras das duas maiores cidades, Natal e Mossoró. Para garantir a reeleição da governadora Fátima Bezerra, é realmente necessária a formação de uma aliança com os Alves?

Daniel Valença: Não. Ao contrário; nossa vitória em 2018 foi contra as oligarquias, e não com elas. Não entrarei aqui no debate sobre a foto de Garibaldi com o “pixuleco” quando da prisão de Lula; nem nos panfletos da campanha de Carlos Eduardo Alves defendendo voto casado com Bolsonaro e nos imputando o que há de mais baixo na criminalização da esquerda. Mas, quais interesses os Alves representam?! Teria como eles constituírem uma base real e sólida de um projeto político de transformação do país e do estado? Se pegarmos as votações de Walter Alves, por exemplo, veremos que esteve alinhado ao governo Bolsonaro desde o seu início até os dias atuais. Se por acaso um deles for alçado à condição de senador por nossa chapa, votará pela revogação da reforma trabalhista e das privatizações desde o golpe, como dito pela presidenta Gleisi? Portanto, estaremos numa situação esdrúxula de termos um governo muito bem avaliado – e todas as pesquisas indicam vitória de Fátima em primeiro e segundo turno – que tende a ter maior apoio quando do furo midiático possibilitado pela propaganda eleitoral, com um puxador de votos sem precedentes como o presidente Lula e, ainda assim, abdicarmos de uma importante vaga – das pouquíssimas que temos nacionalmente – no senado, em que Jean faz um importante mandato e, segundo a última pesquisa publicizada, com o apoio de Lula poderia chegar a 61%.

NE360📍 Já foi pauta de reunião da direção nacional do PT a proposta de formação de uma federação partidária envolvendo partidos como o PSB. Como você avalia essa proposição?

Percebamos que a ideia em abstrato é interessante, um passo importante para a construção ideológica no interior das alianças partidárias brasileiras. Contudo, no caso concreto, apesar das boas relações entre PT e PSB no RN o PSB em âmbito nacional tem várias lideranças que são da direita gourmet; o partido orientou sua base por voto em favor do golpe em 2016 e várias das votações contra a classe trabalhadora – nos governos Temer e Bolsonaro – contou com parcela importante de seus votos. Ou seja, a unidade programática não se fará por decreto, por decisão de direções. Ao contrário, caso a Federação se concretize, a consequência prática será que o PT elegerá menos deputados e o PSB mais, e isto não implicará uma “frente de esquerda” para sustentar o governo. Mais: a Federação implicaria numa unidade programática que, no mundo real, não existe, o que poderia levar o PT a rumar para o centro em vários pontos importantes de nossos programas. Portanto, para concluir, creio ser muito importante uma coalizão entre o PT, o PCdoB, o PSOL, e partidos como a Rede, o PSB, o PDT. Porém, não há condições concretas para uma Federação neste momento.

NE360📍 Quais são os objetivos do PT para a disputa proporcional? Como está a montagem da chapa de deputados estadual e federal do partido?

Daniel Valença: Com a popularidade de Lula e a avaliação positiva do governo Fátima, um governo que já em 2019 pagou 15 folhas, sem ajuda federal; que durante a pandemia recebeu – por força de Lei R$ 1,1 bilhão -, mas investiu R$ 1,9 bilhão, que realizou concursos na saúde, educação, segurança pública, que criou políticas para a agricultura familiar, para a pesca artesanal, que retomou os investimentos em cultura e patrimônio histórico, que fortaleceu o Sistema Único de Assistência Social e o Sistema Único de Saúde, não podemos esperar outro resultado senão ao menos dobrar nossa bancada estadual, reelegendo Isolda e Francisco, e elegendo novas lideranças como as vereadoras Divaneide e Marleide, a companheira Rayane Andrade, dentre vários outros quadros. Em âmbito federal, estamos com vários quadros candidatos – Natália, Mineiro, Samanda, Cadu, etc. –; então o objetivo é reeleger a companheira Natália Bonavides e reconquistar a vaga de nosso companheiro Mineiro; se por ventura estourarmos nas urnas, há como sonhar inclusive com uma terceira vaga.

NE360📍 Muito se fala na imprensa sobre uma provável aliança entre PT e PDT na chapa majoritária , tendo a governadora Fátima Bezerra candidata a reeleição e o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves, como o candidato ao Senado na vaga que hoje é ocupada pelo Senador Jean-Paul Prates. Qual a sua opinião sobre a possível troca de Jean-Paul Prates por Carlos Eduardo na vaga ao Senado Federal?

Daniel Valença: Um equívoco. Temos menos de dez senadores em todo o país, abdicaremos de um já eleito e que realiza um bom mandato? O que garante que Carlos Eduardo terá compromisso com o programa de transformações que será impulsionado pelo governo Lula e pelo governo Fátima? Todas as pesquisas mostram que Fátima tem ótimas chances de vitória este ano. Ela lidera. Na campanha, ela superará o cerco midiático e exporá os méritos de nosso governo. E, mesmo que não fosse esse o quadro, na política é preciso arriscar; só assim podemos defender as coisas mais belas e, também, conquistar a classe trabalhadora a partir de uma coerência histórica na luta política.

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