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Por Bruno Costa, Sanduíche de pão com pão, uva-passa e leite estragado

Um amigo petista com quem costumo debater em determinado grupo de whats app disse que defender sanduíche de pão com pão é muito fácil. Difícil seria aceitar a tal da uva-passa em nome de uma causa maior.

Discordo e passo a expor os motivos.

Precisamos considerar, antes de tudo, que a fome impera no Brasil pós-golpe – sim, houve golpe e os golpistas são os culpados pelo golpe e pelo que aconteceu como consequência do golpe, não a Dilma.

Uma das coisas que aconteram no pós-golpe foi a dificuldade de muita gente ter dinheiro todo dia para o básico: comprar e comer pão, por exemplo. Sim, a classe trabalhadora gosta de pão com manteiga; de pão com manteiga e queijo; de pão com manteiga, queijo, mortadela, ovo, etc.

Na metáfora do meu amigo a uva-passa, que incomoda algumas pessoas quando presente no arroz e na farofa de festividades natalinas representa o Alckmin, uma espécie de mal necessário para derrotar Bolsonaro nas eleições de 2022. Ocorre que, além de as pesquisas de opinião não indicarem isso, Alckmin está mais para leite estragado do que para uva-passa.

O leite estragado é aquele que nos impõe o “trono”, mas não garante e ainda ameaça permanentemente um possível governo. Aquele que pode até parecer ser alimento, mas provoca uma diarreia daquelas. Alckmin pode ser tudo que o mercado quer para amenizar/domesticar uma candidatura extremamente forte da esquerda e que a CIA quer para, no limite, forjar a morte (no sentido figurado ou não) do titular e promover o suplente. Além de não ser condição para a derrota de Bolsonaro, é contra-condição para a derrota do bolsonarismo e contra-condição para que Lula tenha condições políticas de ser eleito, tomar posse e governar com foco na garantia do pão com manteiga, do feijão com arroz e da mistura, mas também com foco em reformas estruturais, que tornem mais difícil a vida de golpistas e neoliberais e mais digna a vida da maioria do povo brasileiro.

A tentativa de encaixar um golpista da Opus Dei, neoliberal, um dos líderes do projeto que privatizou São Paulo, como vice do Lula em 2022, não pode ser metaforicamente associada à uva-passa e nos faz, de tão absurda, até gostar da ideia de um vice ou uma vice uva-passa. Engoliria fácil pra não ter de beber leite estragado, não fortalecer o discurso antissistema do atual presidente e não presentear os golpistas que tornaram possível a eleição de Bolsonaro e o genocídio em curso – o que seria sobretudo antipedagógico.

Será que o Lula tá cogitando leite estragado pra tornar mais palatável a uva-passa? Não sei. Sei que o povo gosta mesmo é de pão com ovo; de arroz, feijão, carne e farinha. E é do povo que um futuro governo de esquerda necessitará para não ser derrubado, para dobrar um Congresso que ainda será hegemomicamente conservador e para alterar as estruturas de um país absurdamente desigual, racista e violento.

Para garantir emprego decente e três refeições de qualidade por dia após um processo de destruição tão violento não será necessário derrotar apenas Bolsonaro, será necessário derrotar também a agenda neoliberal, que o Alckmin representou no passado, representa no presente e continuará representando no futuro, independentemente do partido que escolha para tentar disfarçar sua plumagem de tucano e da retórica que adote para disfarçar as posições abjetas que assumiu no passado recente.

Meu amigo provavelmente dirá que sanduíche de pão com pão não garante governabilidade. Antecipo uma resposta: governabilidade sem povo organizado e mobilizado não é governabilidade, é pacto que nega as rupturas necessárias.

Luiz Inácio: pão com ovo é uma delícia. Arroz com feijão, carne e farinha, mais ainda! Deixa o leite estragado no lugar dele, que é o lugar dos que produzem a fome do povo. O tal do deus mercado não precisa de leite estragado para tolerar sua candidatura, sua vitória e um governo liderado pela esquerda, porque simplesmente nunca tolerou nem vai tolerar. Sempre vai tentar impedir, conter, encarcerar, domesticar.

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