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Pandemia de covid-19 é o maior desafio da indústria cinematográfica desde a segunda guerra mundial

Por Jônatas Andrade

Em sã consciência, ninguém apostaria que uma pandemia fosse acontecer e mudar por longos meses a forma como nos relacionamos e nos comunicamos. Ou ainda que ela também inutilizaria as nossas saídas de casa para, por exemplo, irmos ao cinema. Um inimigo invisível pôs à prova o hábito de se conferir os lançamentos e os clássicos nos cinemas de rua, conglomerados culturais, cineclubes e shoppings.

Afora as mais lastimáveis, irrecuperáveis e saudosas perdas – as vidas –, a impossibilidade de se ir aos cinemas não prejudica e nem prejudicou apenas a vida dos próprios exibidores. Estamos falando do sustento de vida de centenas de milhares de profissionais que são responsáveis por, diariamente, estarem em locações fílmicas (os sets) fazendo todo o trabalho por trás das câmeras acontecerem. As atrizes e atores que vemos, ora, dependem de um sem-número de pessoas para que aquelas cenas em alta definição se projetem à frente dos nossos olhos: falamos aqui de iluminadores, maquiadores, figurinistas, motoristas, contrarregras, o pessoal da cozinha, da segurança, relações públicas, câmeras, pessoal do som, produtores, diretores. Embora haja bem mais gente, eis alguns.

Toda uma gama de profissionais que também trabalham nos filmes após as filmagens serem finalizadas também teve o ganha-pão prejudicado: equipe de efeitos digitais, montadores e editores. Sem falar nas equipes das agências de publicidade e marketing. Afinal, se não há filmes sendo feitos, não há festivais de luxo para atrizes, atores e direção desfilarem para fotógrafos do mundo inteiro enquanto divulgam seus filmes. As mesmas pessoas não viajam para outros países para fazerem divulgação internacional dos seus filmes, darem entrevistas em programas dominicais de alta audiência ou ainda serem fotografados por uma legião de fãs das sacadas dos hotéis em que estarão. Estariam…

Aconteceu, como sabemos. Quem vos fala, há tempos viu um filme no cinema desde a última vez. E na despedida, sequer viu algo marcante. Sobrou o gosto agridoce: cinema é cinema, embora nem todo filme seja inesquecível. Certas vezes até o é: por desonrosos motivos.

E a tal sétima arte, como assim é apelidada, sempre enfrentou forte competição ao longo de sua mais que centenária existência. E embora eu fale agora de forma mais antagônica, a rivalidade do audiovisual é menos contra a potência de qualquer outra mídia ou distração e mais por conta do tempo que se dispende em outros afazeres e lazeres que não são os filmes em si. Assim, fosse contra a mídia impressa, o rádio, a televisão, contra as locadoras, contra a pirataria e contra as redes sociais, sempre houve e haverá meios e mídias disputando as atenções umas com as outras. Por sorte, algumas, vejam só, reforçam-se. Por isso, em tempos atuais, é fácil vermos filmes sendo propagandeados em publiposts nas redes sociais, em spots de televisão nos intervalos de algum programa de homérica audiência ou ainda com o algoritmo do YouTube nos sugerindo determinados filmes.

Para além das redes sociais, o século 21 não deixou de apresentar sua nova leva de competidores: os serviços de streaming. Estes, sim, fizeram afronta ao cinema com mais protagonismo, pois o fazem para roubar público das grandes telas para as “pequenas” telas presentes nos confortos dos lares. Não saia de casa, não pague estacionamento, não pegue fila, não compre pipoca e refrigerante à preços exorbitantes. É a comodidade de simplesmente se estar em casa. Com isso, ao longo da década anterior, testemunhamos o nascimento de diversos serviços de streaming: Netflix, Prime Video, Disney Plus, HuLu, Starz, Apple TV, Looke, Globoplay, Mubi, HBO Max e outros (por enquanto) um pouco menos conhecidos.

Se a pandemia desgarrou as pessoas dos cinemas, também aproximou ainda mais as mesmas pessoas – e também outras – das locadoras virtuais e cheias de catálogos e lançamentos com filmes originais e outros tantos adquiridos por tais serviços. O resultado disso? É positivo. Filmes são feitos para serem vistos. E não falo de qualidade. Há sempre algum tipo de aprendizado ansiando por acontecer até mesmo ao se assistir filmes execráveis. De alguma forma, o indivíduo vai ficando mais crítico quanto ao que é dispensável, meramente apreciável ou essencial.

Em grande parte, os cinemas de rua foram substituídos pelas salas de exibição dos shoppings. É triste não pode contar com ambos, mas, mais triste ainda, seria não contar com nenhum. Assim como as locadoras também foram muito afetadas pela pirataria, as salas de exibição também viram, com o agravamento da pandemia, estúdios remanejando suas datas de lançamentos das obras. Filmes pularam seus lançamentos de 2020 para 2021 e outras produções sequer foram retomadas, entrando em um hiato grandioso ou sendo canceladas. E algumas tantas dezenas, vejam só, sequer foram exibidos nos cinemas, tendo sido direcionados para uma Netflix, HBO Max ou Prime Video da vida.

Se um dia, por conta dos serviços de streaming ou de outra pandemia qualquer, os cinemas de shoppings deixarem de existir, proporcionalmente, sabemos que a indústria de fabricação de televisores irá inserir, em um número cada vez maior de lares, televisores full HD, 4K, 8K e assim segue para que a nossa experiência seja a mais próxima das telas gigantes dos cinemas. E essa, sim, é uma constatação penosa de se fazer. Os cinemas, estejam cheios, parcialmente cheios ou com um número ínfimo de telespectadores, ainda carregam a prerrogativa de serem atividades coletivas. Se a minha sala está vazia, a sua poderá estar lotada. É o copo meio vazio e meio cheio que ronda a expectativa do sucesso de um filme e nos encanta ao vermos um filme brilhante em uma tela que é quase do tamanho dos nossos sonhos.

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1 COMENTÁRIO

  1. Excelente artigo! Sobre o cinema, há algo que o Streaming não consegue proporcionar: a experiência da interação social. Seja nas conversas com amigos e até desconhecidos na fila aguardando a entrada, assim como nas vibrações coletivas de cenas empolgantes de ação/emoção no clímax da narrativa.
    Anseio pela retomada e continuidade dos sucessos de bilheteria. A ida ao cinema ainda é uma das atividades que o mundo real ainda se sobrepõe ao virtual. Sem falar nos eventos de pré-estreia, em seu momento pré, nas filas, rodas de conhecidos, e atividades relacionadas ao filme que está por vir, onde eu posso reencontrar amigos, sem a necessidade de me empenhar para tal.

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