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Jovem crítica – O Holocausto brasileiro

Por Wanessa Alves*

No ano de 1903 é fundado o hospital psiquiátrico de Barbacena conhecido popularmente por “colônia”, a instituição recebia diariamente centenas de pessoas para serem internadas, no entanto, muitas, senão a maioria não apresentavam diagnóstico de doenças mentais, dentre eles estavam: homossexuais, prostitutas, mães solteiras, meninas problemáticas, moças que perdiam a virgindade antes do casamento, mulheres engravidadas por seus patrões, mendigos, enfim, os indesejáveis para a sociedade daquele período.

No documentário “Holocausto brasileiro”, é demonstrado através de imagens as condições precárias experimentadas pelas vítimas desse vergonhoso acontecimento do estado de Minas Gerais. A situação dos pacientes era extremamente degradante, muitos chegaram a se alimentar de roedores, a beber água dos esgotos, dormir sob capim e até mesmo beber a sua própria urina para conseguir sobreviver. Nas noites frias, eram jogados a própria sorte, muitos não tinham nem a roupa de corpo e chegavam a literalmente morrer de frio.

Um dos muitos outros absurdos que chocam foi a venda de 1.853 corpos para 17 faculdades de medicina do país sem qualquer relutância. Na Colônia de Barbacena, ao se tornar paciente, o sujeito já não é mais sujeito, não há mais espaço para um “eu”, a humanidade deles ficou na porta de entrada para esse verdadeiro inferno experenciado na terra.

Muitos desses pacientes foram internados à força e inúmeros eram submetidos a situações desumanizadoras com o consentimento do Estado, médicos, funcionários e da sociedade como um todo. Foram 8 décadas de morte, desespero, fome, humilhação e silêncio. O holocausto brasileiro ceifou 60 mil vidas, não existe um culpado específico para essa tragédia, como um dos sobreviventes disse “A culpa é do coletivo”. O Brasil não pode e não deve apagar a sua história, por mais suja e vergonhosa que seja, é necessário olhar com atenção para o passado, aprender com o que se passou e jamais ser conivente com atrocidades como essa novamente. Uma sugestão seria a implementação dentro da grade curricular das escolas a história do hospital psiquiátrico de Barbacena, pois, precisamos conhecer a história do nosso país.

*Wanessa Alves tem 19 anos, é estudante de filosofia na UERN e escreve sobre juventude, política e direitos humanos na coluna ‘Jovem Crítica’
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