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Cultura de Libertação – Controvérsias para entender a cultura do país de Mossoró

Por Dionízio do Apodi*

ONDE IMPERA A MENTIRA A VERDADE É UM ESCÂNDALO – Um grupo de teatro se apresenta em praça pública em Mossoró e a prefeita da época manda a polícia retirar os artistas da praça para que o local “não seja danificado”; artistas de Mossoró durante período de muitos anos deinatividade do Museu Municipal e do Teatro Lauro Monte Filho, protestam pelo retorno dos dois equipamentos, e gestores municipais culpam esses trabalhadores como politiqueiros; servidores públicos da educação fazem greve por direito retirado da lei, a Prefeitura diz que não retirou, no final das contas a greve dos trabalhadores faz com que a Prefeitura retorne com  um parágrafo na lei, que havia retirado, e mesmo assim mantém o discurso de que a greve é culpa dos próprios servidores; a Prefeitura recebe recursos para aquisição de um castramóvel, não executa a compra e a culpa é de quem está cobrando; serviços de limpeza da Prefeitura não agem de forma satisfatória e a culpa é colocada na população; o município possui problemas graves de alagamento nas chuvas mas a mídia da prefeitura noticia que os estragos das chuvas é culpa do povo que joga lixo nas ruas.

Ao longo dos anos, das décadas, o poder público mossoroense sempre agiu dessa forma: mentindo à população, responsabilizando a parte trabalhadora, quem faz greve, quem denuncia, quem faz críticas, como responsáveis pelos problemas. Nunca a culpa foi assumida pelos gestores. A culpa sempre foi, é e será, de quem é prejudicado. Em todos os anos de rosalbismo, de gestões dos rosados e de quem os amava, em qualquer época, nunca tivemos em algum momento o poder público assumindo a sua culpa, pedindo desculpas para a população por alguma ação mal executada ou pela ausência da ação. Na gestão atual, que prometeu ser diferente das anteriores, o formato é o mesmo. A cultura de culpar a parte vulnerável, a vítima, na história continua forte, fazendo escola, e seguirá até termos, realmente, um governo para reconstruir Mossoró, algo muito distante para o contexto atual.

O caso do Circo Los Campellos continua repercutindo no meio artístico de todo o Brasil, de forma negativa, para a Prefeitura de Mossoró, pela forma que foi adotada, com uma carta de despejo entregue num sábado, dando vinte e quatro horas para a saída dos circenses, sob ameaça de colocar a polícia para esvaziar o local. Depois de todos os argumentos colocados na mesa: a Estação das Artes que foi negada ao circo mossoroense Los Campellos mas pode receber um circo de fora, o atraso na liberação do alvará, nos dias perdidos do circo por conta do outro circo que demorou a sair da Estação, pertinho do local cedido ao Los Campellos, a Prefeitura optou por responsabilizar a família Campello, utilizando seu aparato composto por blogueiros e babões (aqueles que detêm um cargo comissionado e que parecem ser pagos para propagar e defender qualquer ação do prefeito de Mossoró, pelas redes sociais).

Ora, na possibilidade de defender o que a Prefeitura defendeu, que o circo estava atrapalhando a chegada do parque de diversões, se fosse só isso, mesmo assim, ainda teria agido de forma arbitrária, pois faltou à Prefeitura de Mossoró consultar seu próprio Código Municipal de Meio Ambiente, que prevê, em um caso desses, primeiro, notificar o circo na presença de testemunhas, e a partir daí o circo teria o prazo de dez dias para apresentar defesa, mas nunca uma carta dizendo que os artistas teriam vinte e quatro horas para se retirar, sob condição de receber a polícia para retirá-los de lá. Uma injustiça que deveria ser reparada com um pedido de desculpas por parte da Prefeitura de Mossoró, algo inacreditável quando vemos o histórico de ações das gestões que passaram e a que está por lá.

O PODER DOS NOMES QUE PODEM TUDO – Quando Dix-huit Rosado, ex-prefeito de Mossoró, morreu em pleno período em que era prefeito, deixou alguns meses para a sua vice, Sandra Rosado, administrar o município. Em uma de suas poucas ações como prefeita, Sandra mudou o nome do bairro 30 de Setembro, que homenageava o dia em que Mossoró libertou seus escravos, antes da Lei Áurea. A prefeita, sem consulta pública (não me refiro a reunião pequena feita com correligionários que moravam no bairro, para dar caráter participativo) mudou o nome do bairro para Vingt Rosado, pai dela. Lembro que na época houve um movimento forte contrário a isso, por conta do caráter desrespeitoso com quem morava no bairro, que não participou da decisão, e teve o nome do lugar onde morava, por conta da vontade da prefeita, mudado para o nome do pai da mesma. Até hoje conheço muitas pessoas que residem lá que chamam o bairro de 30 de Setembro.

O Teatro Municipal de Mossoró (chamado de Dix-huit Rosado) é outro lugar que leva o nome de alguém que não foi escolhido por quem faz teatro em Mossoró. E o pior dessa situação é que o ex-prefeito Dix-huit Rosado, era público e sabido, que não gostava de teatro, e certa vez chamou alguns companheiros e algumas companheiras do teatro de Mossoró de vagabundos. Temos tantos nomes que representariam o teatro, como por exemplo o ator, bonequeiro, músico e grande pessoa, Railson Paulino, que fazia parte da Companhia Escarcéu de Teatro, só para citar um dos inúmeros nomes que temos.

Os casos absurdos são inúmeros em Mossoró, como a Praça Vigário Antônio Joaquim (Praça da Catedral), lugar importante da cultura mossoroense, pelas festas de Santa Luzia, concursos de A Mais Bela Voz da Rádio Rural, espetáculos de teatro, música, protestos, que tem uma estátua imensa do ex-governador Dix-sept Rosado, com o povo embaixo olhando para ele, e ao mesmo tempo um pequeno busto do Vigário Antônio Joaquim, que dá nome à praça, fica num pequeno largo, escondido entre os galhos de uma árvore, no largo Dix-Sept Rosado. Um no lugar do outro, só que nesta história ganhou a família Rosado que colocou seu símbolo num lugar vistoso (ainda viverei para ver esta estátua saindo dali).

E a prática continua: essa semana os companheiros e as companheiras que fazem a Escola de Artes de Mossoró foram pegos de surpresa, quando receberam uma moção de aplausos pelos relevantes serviços prestados à população (algo natural e justo), através da vereadora Carmem Júlia. Só que, no papel assinado pela vereadora, com timbre da Câmara Municipal de Mossoró, a denominação Escola de Artes “Joãozinho Escócia”. Colocaram esse nome (proposta da ex-vereadora Isabel da Caixa) e não disseram nada a ninguém, não consultaram as pessoas que fazem a Escola, sequer foi dito que isso iria ser feito. De repente, quem trabalha na Escola de Artes de Mossoró descobre que esse lugar tem outro nome.

A crítica não é para a pessoa Joãozinho Escócia, já falecida, mas seria para qualquer nome que estivesse neste lugar, e principalmente nome que não teve em sua trajetória serviços prestados à referida escola.

As trabalhadoras e os trabalhadores que fazem a Escola de Artes de Mossoró já se manifestaram que querem a lei revogada, nada mais justo, pois se precisar ter alguma homenagem na denominação da Escola de Artes que seja debatido com quem faz a escola ao longo dos anos, nada mais justo. Essa velha classe política de Mossoró ainda não entendeu que nos tempos de hoje não cabe mais esse tipo de situação. As coisas precisam ser construídas de forma participativa, e não de forma autoritária, empurrando vontades individuais em cima do interesse coletivo.

Até o próximo domingo!

Abraços e há braços!

* O ator, diretor e agente cultural Dionizio do Apodi fala sobre cultura, políticas públicas e sociedade na coluna Cultura de Libertação

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