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Carnavais de outrora

Por Brito e Silva 

Às vezes me pego pensando que sou um alienígena neste mundo de meu deus, isto é, do deus que abençoa o carnaval de norte a sul, de leste a oeste aqui na terra de Tupã. Só me falta certidão para comprovar ser marciano ou quem sabe lá de Plutão. Confesso meio acabrunhado, olhando pro chão, na fazer parte da legião de “Vevete”, desses que saem por aí encurralados por uma corda e uma porção de brutamontes atrás de um trio elétrico balançando a rabichola na boquinha da garrafa, definitivamente não estou no tempo: me atrasei pra festa. Corro léguas, como o cão corre da cruz, destes carnavais de Vevetes, Chicleteiros, das Anitas…

Não confirmo que sou um herege por completo, já me entreguei por muitos carnavais à festa deliciosamente pagã. Quem nunca? Claro que aos sons dos clarins, até o escultor renascentistaMichelangelo Buonarroti teria mudado sua famosa frase dita ao finalizar seu Moisés, ao invés de “Parla”, certamente teria dito “balança o esqueleto aí meu filho”, o imperador Nero, talvez se fantasiasse de anjo e com sua arpa desafinada sairia no salto, rodando o saiote aos primeiros acordes da marchinha “Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é…”.

Sou mesmo, sou das antigas e este clima de folia me deixa saudosistas, sim senhor. Apesar que qualquer semelhança dos carnavais de antes com os de hoje estar fora de questão, minha memória – que às vezes apaga o que não devia e talha em mármore o que tento não lembrar – me aporta, nos anos 70. Mesmo quando exprimo um esforço tão forte quando caldo de batatas para resistir às lembranças de outrora, minha neta Lívia, de 2 anos, diz que vai se vestir de colombina para o carnaval da escolinha. Envolto em imagens psicodélicas diabolicamente carnavalescas quando dou por mim estou nos Paredões, lá em Mossoró/RN, nos anos 70 com nossa vitrola Isabela V ABC – Voz de Ouro – animada tocando “Tudo é carnaval, tudo é carnaval, vamos embora pessoal…”. Na porta um “urso”, encarnado por um papudinho das cercanias, que neste período se veste em retalhos de tecidos, acompanhado de outro amigo de copo e de cruz esbaforido batendo descontroladamente um puído bumbo e ainda um outro terceiro maltrata um velho desafinado pandeiro quase sem platinelas, com um caneco de ágata amassado na mão pede algum dinheiro para alimentar o “verme”, iludido ser capaz de poder afogar suas cristalizadas mágoas. 

Depois de ouvir Elis Regina cantar Romaria na novela Maria, Maria, De Assis – meu irmão – Carlinhos de Giselda, Vandimar Mendes, Julhinho, Aldo Cortez e eu já na calçada todos a postos para botar o bloco na rua a caminho do bar de Tilon para jogar sinuca, tomar uns “burrinhos”, jogar Maizena uns nos outros e no compasso de “mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar…” subirmos para o Club Cardeal, ao lado da Igreja de São José ou descer para o Club Salinistas, na rua Prudente de Morais, que durante os outros dias do ano era uma escola – lembro de ter estudado lá -, convictos de cada um encontrar sua colombina para dividir os três dias de folia. Aqueles que dessem com os burros n’água, certamente, esticavam até à ACDP e AABB para apigorar no “sereno” esperando um vacilo do porteiro para entrar de graça e arriscarem a sorte com alguma desavisada menina rica da socialite “moscowita”.

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