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“Allyson tem se distanciado dos discursos e do plano de governo apresentado por ele durante a campanha” afirma vereador Pablo Aires na Entrevista de Domingo

Pablo Aires é, sem nenhuma dúvida, uma das principais revelações da política mossoroense nos últimos anos.

Vereador em primeiro mandato pelo PSB, tem trajetória marcada pelas jornadas de junho de 2013, quando foi às ruas ao lado de milhões de jovens brasileiros e brasileiras, reivindicar direitos. Em Mossoró,  Criou uma base eleitoral sólida, em especial pelo trabalho realizado no apoio à causa animal. 

No parlamento vem se destacando por posições firmes, coerentes e preparadas. Ao lado da vereadora Marleide Cunha (PT) forma o bloco mais incômodo ao Prefeito Allyson e, inclusive, vem aplicando inesperadas derrotas ao executivo na casa legislativa. 

Na entrevista de domingo, Pablo fala sobre o PSB, as perspectivas do partido à nível nacional, as posições e contradições da legenda e as possibildiades para o futuro. Ele também comenta o que pensa sobre a gestão do Prefeito Allyson Bezerra, a polêmica compra do castramóvel e sua relação com a petista Marleide Cunha. Confira. 

Nordeste 360 – Para quem não conhecia Pablo Aires antes de se tornar vereador, qual foi a sua trajetória política antes de ser candidato a cargo parlamentar?

Pablo Aires – Venho de uma família humilde, sou mossoroense da comunidade rural do Jucuri, onde cresci ao lado do meu irmão Paulo e dos meus pais, Francisca Antônia (Cineide) e Antônio Erivan (Belo). Nesse ambiente familiar sempre percebemos a educação como caminho para mudança social e foi pensando em dar uma melhor condição de vida pra família que após concluir o ensino básico na rede pública, com muita dedicação garantimos, aos 16 anos, o meu ingresso no curso de Administração.

Depois dessa minha primeira formação, retornei à universidade para cursar Direito em 2015, com uma bolsa do PROUNI e hoje sou também advogado. O interesse pelas causas coletivas sempre foi uma das minhas características mais fortes e que me moveram para a atuação política especialmente a luta pela proteção aos animais. O trabalho com o resgate, atendimento e adoção de animais debilitados e em situação de rua me motivou à disputa por uma cadeira legislativa, assim como a percepção de que precisamos de uma política que dê respostas à população sobre uma série de demandas e aqui estamos hoje como vereador eleito em meu primeiro mandato.

Nordeste 360 – O que te fez escolher o PSB e como você analisa a atuação do partido em nível estadual e federal?

Pablo Aires – Eu pesquisei bastante antes de me filiar e o PSB é um partido com história. Quando decidi enfrentar a campanha em 2020, meu propósito era buscar um grupo que defendesse causas semelhantes as minhas, mas que também permitisse liberdade nas minhas opiniões. E no PSB eu encontrei esse espaço.

Nos âmbitos nacional e estadual, o PSB atua de forma consistente e fiel ao programa do partido. Para mim, é importante que o partido seja coeso. Desde 2018, o PSB enxugou quadros dissidentes e garantiu a integridade da sua atuação em todas as instâncias da federação. Além disso, entramos em um processo de autorreforma que está sendo discutido desde o ano passado (2021) e pretende reestruturar e modernizar a organização do partido em todos os níveis.

Nordeste 360 – Nacionalmente PT e PSB estão em processo de discussão para a formação de uma federação. De acordo com informações, os debates estão acirrados e há possibilidade que a federação não seja concretizada. Como você tem avaliado esses debates? O que acha da possibilidade da formação de uma federação entre PT e PSB?

Pablo Aires – A discussão da federação partidária, apesar de influenciar na política do nosso estado e da nossa cidade nas próximas eleições, parte de uma decisão nacional, de uma visão abrangente da política que foge do nosso escopo. Mas acredito que o atual momento exige de nós a união das forças políticas para o enfrentamento ao projeto que está posto: o do Presidente Bolsonaro. E mais do que derrotar, é necessário garantir a governabilidade e estabilidade do próximo governo.

A federação propicia ao nosso país uma maior organização do sistema partidário sem necessariamente extinguir os partidos. Apesar das diferenças entre os quadros, o PT e o PSB andam juntos em muitas coisas. Tem o programa parecido, votam juntos no Congresso Nacional, na Assembleia e até aqui na Câmara Municipal.

Nordeste 360 – Em 2016 o PSB votou oficialmente a favor do Golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff. Hoje, no atual Governo de Jair Bolsonaro, boa parte da bancada do PSB vota alinhado com a presidência. Como você analisa o comportamento dos seus colegas no parlamento?

Pablo Aires – Há um reconhecimento público de vários dirigentes e membros do partido sobre esse momento de 2016 e não há como negar sobre o posicionamento tomado à época. O processo democrático no Brasil é relativamente recente, tem sido um aprendizado feito de erros e acertos e enquanto partido, o PSB teve de amadurecer, inclusive internamente por não ter tido a unanimidade neste ponto. Acredito que o PSB fez sua autocrítica em relação ao impeachment. Esse processo, fruto muito mais da falta de articulação política da então presidente Dilma do que por qualquer irregularidade, gerou discussões que possibilitaram que o partido vivesse um novo momento.

Já em relação ao Governo Bolsonaro o PSB tem um posicionamento demarcado de oposição, inclusive com a filiação de grandes nomes como Flávio Dino que saiu do PCdoB e Marcelo Freixo que saiu do PSOL. Estas personalidades políticas fazem um duro enfrentamento ao governo Bolsonaro e levam com elas as bandeiras do PSB. A propósito, o PSB tem sido um dos partidos que mais questiona os atos do Presidente Bolsonaro perante o Supremo Tribunal Federal, conquistando vitórias importantes na proteção do meio ambiente, das comunidades indígenas e garantia dos direitos das minorias.

Nordeste 360 – Ainda sobre a relação com o PT, na Câmara Municipal de Mossoró você tem uma relação de muita afinidade com a petista Marleide Cunha, inclusive formando um bloco em conjunto. O que tem contribuído para a aproximação parlamentar entre vocês?

Pablo Aires – Marleide e eu temos visões bastante convergentes sobre quase todas as matérias discutidas na Câmara, e por isso este ano formamos o bloco Progressista. Eu acho que é importante que numa casa legislativa existam coalisões para defender posições que consideramos relevantes. É claro que conseguiríamos defender essas posições sozinhos, mas atuar de forma conjunta é muito mais significativo. Essa troca de experiência com certeza engrandece e fortalece o nosso trabalho e a Câmara Municipal de Mossoró.

Pablo está em seu primeiro mandato como parlamentar

Nordeste 360 – Qual a sua avaliação após 1 ano da gestão de Allyson Bezerra?

Pablo Aires – Passado um ano de gestão, a avaliação é que o prefeito Allyson tem se distanciado dos discursos e do plano de governo apresentado por ele durante a campanha.

No ano passado nosso mandato teve 25 pedidos de informações aprovados na Câmara Municipal e apenas 3 foram respondidos, o que revela a falta de transparência da gestão. O nosso mandato precisou judicializar o requerimento que solicitava informações sobre o castramóvel que, passado um ano, não foi respondido. No entanto, todos os projetos de lei enviados pelo Executivo à Câmara foram votados com urgência, sem diálogo com os grupos da nossa cidade e comprometendo a função dos vereadores na análise e aperfeiçoamento dos projetos.

Nesta semana aconteceu o evento da Jornada Pedagógica, mas não tivemos avanço na discussão sobre a gestão democrática nas escolas e, até o momento, nenhum avanço por parte da Prefeitura na pauta da Causa Animal. Ambos assuntos abordados no plano de governo do Prefeito Alysson.

Nordeste 360 – Uma das principais bandeiras do seu trabalho enquanto parlamentar é no que se refere à proteção animal.  Como tem visto o andamento dessa pauta em Mossoró? Como avalia o episódio da compra do castramóvel e as saídas que a PMM apresentou para o problema?

Pablo Aires – A verdade é que se não fosse pela ação das  ONGs e dos protetores independentes, essa pauta nem existiria em Mossoró. O poder público vinha sendo omisso à causa desde que a pauta começou a ser levantada pelos protetores. Começava e terminava gestões e nada era feito. Com a atual administração da Prefeitura Municipal de Mossoró nada mudou, e o castramóvel é a prova disso.

O recurso, que já está na conta da prefeitura desde dezembro de 2020, não foi sequer tocado. Isso é no mínimo um descaso com a saúde pública e a vida animal. Se o dinheiro tivesse sido usado, poderíamos nesse ano de funcionamento já ter evitado que milhares de animais nascessem na rua, diminuindo os acidentes, a proliferação de zoonoses e, principalmente, o sofrimento animal. Já conseguimos emendas para custear funcionamento do castramóvel, solicitamos informações sobre a compra do equipamento, fizemos campanhas nas redes sociais, levantamos a pauta na Câmara, cobramos na justiça e a prefeitura deu silêncio por resposta. Sobre tudo isso, é importante lembrar que a causa animal foi compromisso de campanha do atual prefeito, mas ele parece tê-la esquecido em 2020 na mesma pasta que está a emenda para execução do projeto.

Pablo Aires tem destaque no trabalho de proteção animal
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